REGRAS MASCULINAS – Como elas invadiram o seu cérebro?

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[SAÚDE MENTAL] por Matheus Ferrari

Pode parecer coisa de ficção científica, mas o cérebro humano pode ser programado (e reprogramado) inconscientemente várias vezes. Sem nos darmos conta, desde a infância internalizamos mensagens passadas – direta ou indiretamente – por nossos pais, parentes, amigos, professores, etc, e que se tornaram a base para a construção de vários programas mentais que utilizamos no decorrer de nossas vidas.

Alguns desses programas prejudicam os nossos relacionamentos, interferem na forma como nos comunicamos e afetam a nossa capacidade de nos tornarmos íntimos de outras pessoas.

Um exemplo clássico desses programas mentais são as chamadas “regras de gênero”, que tanto homens como mulheres acabam seguindo para serem aceitos dentro de um grupo.

Funciona assim: papéis sociais são dados aos indivíduos de acordo com o seu “sexo” e qualquer ação ou comportamento que saia do padrão é visto pelos demais com certa estranheza. Mulheres que não querem casar ou homens que choram muito geralmente são alvos de piadinhas ou pré-julgamentos por parte das outras pessoas.

Já se sabe que todo e qualquer tipo de estereótipo, masculino ou feminino, é extremamente repressor. Contudo, as “máscaras sociais” ainda costumam causar muita confusão e infelicidade em pessoas que desejam expressar-se livremente, independente do gênero, mas que não conseguem por medo de serem ridicularizadas ou rejeitadas.

A boa notícia é que no mundo ocidental de hoje, felizmente, as mulheres estão melhor amparadas e têm recebido mais atenção e espaço do que antigamente para discutirem questões de gênero e direitos femininos de uma maneira bem mais aberta e respeitosa. \o/

Por outro lado, a má notícia é que talvez esteja havendo certa tendência a se enxergar toda essa questão de gênero somente por um lado.

Questionemos:

Será que os homens conseguem expressar suas dificuldades, dúvidas e anseios com a mesma naturalidade (e liberdade) das mulheres?

Será que as pessoas tem consciência de que grande parte dos homens ainda se obriga a seguir determinadas “regras” impostas pela sociedade para que todo mundo saiba que eles são, de fato, homens?

Será que os homens não estão enfrentando uma crise de identidade nos dias de hoje?

Para descobrir as respostas (e muito mais!) continue lendo o nosso texto. :)

REGRAS MASCULINAS – O QUE SÃO?

Regras masculinas (RMs) são mensagens que os homens tomaram como verdades absolutas quando eram pequenos e que vieram de muitas fontes: dos pais, da família, da escola, da mídia, etc. Essas regras determinavam como um homem deveria ser ou se comportar, e não foram passadas (nem interpretadas) de maneira consciente.

Na verdade, esse “modelo” de homem foi sendo construído aos poucos e de maneira tão profunda pela sociedade que agora grande parte da expectativa sobre como um homem deveria se portar no século XXI já está enraizada no inconsciente de todos nós.

Como exemplo de RMs podemos citar as frases: “não chore”, “não peça ajuda”, “não seja fraco”, “não broche na cama”, “não seja vulnerável”, “não se importe muito com relacionamentos”, “sempre ganhe”, “saiba todas as respostas”, “saiba arrumar as coisas”, etc.

Todas essas mensagens foram gravadas não só no inconsciente masculino, mas também (pasmem) no feminino! As mulheres internalizaram essas regras tanto quanto os homens, e, sem saber, acabaram criando demasiada expectativa sobre como eles deveriam ser como pais, maridos, namorados e etc.

Provavelmente, algum homem já deve ter ouvido em algum momento da sua vida comentários do tipo “como assim você não sabe dirigir” ou “você que é o homem da casa e não sabe arrumar uma torneira?”, como se o fato de ser homem viesse amarrado na obrigação de saber fazer determinadas coisas ou agir de modo específico.

Confusões à parte, a verdade é que todos nós, homens e mulheres, estamos mergulhados nas chamadas “águas do gênero” – por assim dizer – e sequer nos damos conta disso.

Uma excelente história para exemplificar essa questão é a dos três peixinhos.

Um dia, saindo de sua casa para buscar comida, o peixe mais velho encontrou dois conhecidos que estavam passando pela região. Educadamente, ele decidiu perguntar aos colegas:

– Ei, amigos! Como está a água hoje?

Os dois peixinhos ficaram confusos e perguntaram um ao outro:

– MAS QUE DIABOS É ÁGUA??

Moral da história: muitas vezes, estamos tão mergulhados em ‘algo’ que sequer nos damos conta de que esse ‘algo’ existe. Vivemos nadando em nossos oceanos sem nem sabermos o que é água!

Quando falamos das “águas do gênero” é exatamente isso que acontece. Muitas pessoas tomam decisões em suas vidas não por estarem sendo verdadeiras consigo mesmas ou com aquilo que gostariam de ser naquele momento, mas sim por se basearem em crenças profundamente embebidas em seus inconscientes e que nem ao menos sabem que existem!

Você já parou para pensar nisso?

- Como está a água? - Mas que diabos é água??

– Como está a água? – Mas que diabos é água??

 

CRISE DE IDENTIDADE MASCULINA – SERÁ?

O que é ser homem em pleno século XXI?

Como um homem expressa que está triste?

Ou chateado? Ou irritado? Ou apaixonado?

Os homens são realmente livres para demonstrarem o que sentem?

Antigamente, há mais ou menos uns 50 anos atrás, sabíamos exatamente como um homem iria se expressar perante uma situação desconfortável – poderia ser com silêncio ou agressividade:

“Quando eu era criança, lembro de várias vezes ver meu pai chegar em casa do serviço muito bravo. Ele tirava os sapatos, afrouxava o nó da gravata, pegava uma cerveja na geladeira e sentava no sofá para assistir televisão. Era como se ele entrasse em um modo de zumbi, de latência… ele ficava com o olhar perdido no meio do nada, catatônico. Minha mãe nem tentava mais conversar com ele, só dizia a mim e a meu irmão que naquele dia o papai iria jantar na sala”. – F.T.

“Meu marido era um homem muito fechado. Havia dias em que não trocávamos uma só palavra além do rotineiro ‘como foi seu dia’. Era muito difícil para mim compreender o que se passava dentro dele, pois ele não conversava comigo. Eu o amava muito, mas um casamento sem diálogo tende ase destruir aos poucos”. – A.G.

Hoje, porém, algumas coisas parecem estar diferentes. Já observamos mais tentativas de diálogo por parte dos homens nos relacionamentos como um todo:

“Eu trato a minha filha completamente diferente da forma com que meu pai me tratava anos atrás. Eu sei que por mais que eu esteja bravo com ela, simplesmente aumentar o tom da minha voz a fará entrar em um mundo totalmente diferente do meu… um mundo novo e bem assustador. Ela é pequena… então, eu prefiro me ajoelhar diante dela e falar com calma. Quem na minha vida me ensinou a ser assim? Certamente não foi o meu pai (risos), mas hoje ele é um excelente avô. Engraçado como o tempo muda algumas pessoas, né?”. – P.L.

Meu namorado fala bastante do trabalho dele comigo… ele me diz o quanto está insatisfeito lá dentro, com o chefe e o quanto gostaria de encontrar algo melhor. Às vezes, me sinto como psicóloga (risos), mas sei que é importante pra ele colocar essas coisas pra fora”. – J.S.

O fato é que, mesmo passando por todas essas mudanças culturais, alguns homens ainda carregam uma visão muito negativa de si mesmos.

Eles parecem saber mais quem NÃO SÃO do que quem realmente são. E o resultado da repetição inconsciente de frases como “não posso pedir ajuda”, “não sou chorão”, “não sou fracote” é simplesmente passar mais tempo tentando provar ser um homem do que de fato ser um.

Dentro dessa lógica insana, para provar ser um homem não bastará ter todo o sexo possível, com as mulheres mais lindas e gostosas da cidade; não bastará ter todo o dinheiro do mundo e gastá-lo com carros de luxo ou bebidas importadas; não bastará ser o capitão e artilheiro do time de futebol da faculdade ou o faixa preta de jiu-jitsu.

Para essa sociedade desajustada, sempre existirá algo mais para definir alguém como um homem. E isso não é nada saudável, pois fatores externos não definem ninguém.

Mas então, como se libertar de todas essas regras mentais que prejudicam tanto as nossas vidas?

HOMENS EM RECUPERAÇÃO – COMO VENCER AS REGRAS?

O primeiro passo para superar as RMs é ter consciência de que elas existem.

A partir daí será mais fácil para você reprogramar o seu cérebro de maneira mais benéfica e eficiente. Saiba que a reprogramação mental é algo que requer muita força de vontade e comprometimento, pois precisará ser praticada diariamente para que funcione.

Como exercício, escreva todas as regras masculinas que você se lembrar em um pedaço de papel. Depois, circule aquelas que aparecem na sua vida com maior freqüência.

Agora, releia todas as RMs circuladas e se pergunte: “o que eu quero fazer com isso?”.

Se decidir que quer mudar a regra, mude.

Se achar que ela está OK, tudo bem também.

O importante é você ter disciplina para realizar esse exercício quase que diariamente. Tente não fugir da sua autenticidade, do que você quer fazer ou de quem você quer se tornar. Somente assim as respostas virão e você começará a se sentir melhor.

Ah, e não se esqueça de que viver de forma autêntica terá sempre o seu preço… mas o retorno com certeza será impagável.

Boa REPROGRAMAÇÃO! :)

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MATHEUS FERRARI

CTO & Co-founder

NOWA! | Você ainda vai precisar.

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